Quais são suas ferramentas de estilo?

Em minha jornada de construção e refinamento de estilo pessoal, existe um conceito fundamental que é o das “ferramentas de estilo”. Fui apresentada a ele nos vídeos da consultora Gabrielle Arruda, que o define da seguinte forma:

“Uma caixa de ferramentas de estilo é o seu próprio conjunto de conhecimento de moda e sistemas que você gostaria de aplicar ao seu estilo pessoal autêntico. Como e quando usar essas ferramentas depende do objetivo da sua roupa no dia” [1].

Nesta analogia, cada pedacinho de conhecimento de moda e estilo é equivalente a uma ferramenta distinta, que pode ser mais ou menos adequada para resolver diferentes tipos de problemas. Além disso, você pode adquirir ferramentas com funções parecidas e mais tarde descobrir que prefere usar uma à outra (por exemplo, tanto uma parafusadeira quanto uma chave de fenda podem te ajudar a apertar um parafuso, mas às vezes você se sente mais confortável usando a chave). O mesmo vale para as informações que você adquire: você não precisa aplicar todas de uma vez, tampouco existe a obrigação de aderir ao que não te agrada.

Atualmente minhas ferramentas compreendem diversos sistemas de arquétipos, conhecimentos de cor e composição visual e um pouco de história da moda. A seguir, apresentarei um resumo de algumas de minhas ferramentas;  a ideia é despertar sua curiosidade e te incentivar a “cavar ” seus próprios “buracos de coelho” sobre os tópicos que achar mais interessantes.

Minha caixa de ferramentas

1. Sistemas Yin/Yang

Marilyn Monroe, 1957, usando um lindo vestido que complementa sua essência predominantemente yin.

A base de sistemas yin/yang populares atualmente foi criada por Belle Northrup, professora e pesquisadora de Belas Artes no Teachers College da Universidade Columbia. Em 1936 ela publicou um artigo propondo que o vestuário deve refletir características físicas e emocionais de seus usuários, para que as roupas não se pareçam deslocadas do indivíduo. Como essas propriedades podem ser um tanto quanto abstratas, ela sugeriu a utilização dos termos yin/yang para descrevê-las; Yin representando as formas e cores suaves, arredondadas e fluidas, e yang, o oposto [2]. Assim, para obter um vestuário harmônico, indivíduos com predominância de características arredondadas, pequenas ou delicadas deveriam optar por roupas, cortes de cabelo e maquiagem com estas mesmas características yin, ao passo que pessoas com características mais angulares, longas ou largas deveriam optar por um visual igualmente yang.

Anos depois, a também professora e pesquisadora Harriet McJimsey partiu do trabalho de Northrup para desenvolver sua própria escala yin/yang de seis arquétipos de corpo e estilo, no livro Art in Clothing selection (1963). Na década de 1980 o consultor de imagem John Kitchener expandiu e modificou o sistema de McJimsey, focando principalmente em características faciais e de comportamento para a determinação de essência de seus clientes. Para McJimsey e Kitchener, cada pessoa possui um blend de arquétipos, que se apresentam em diferentes proporções. Por exemplo, a atriz Marilyn Monroe tem a essência predominantemente Romântica, e em menor grau as essências Inocente e Clássica.

Espectro das 7 essências de John Kitchener. Na linha A, temos a forma geométrica que representa as linhas da essencia corresponde na linha B. A Linha B descreve o que os atributos de cada essência transmitem. A Linha C traz algumas celebridades que possuem a essência correpondente em seu blend. Imagem autoral.

Foi também na década de 1980 que o consultor David Kibbe publicou o livro Metamorphosis (1987), que apresentou seu sistema de 13 arquétipos de identidade corporal, sugerindo os melhores tipos de tecido e modelagens para destacar a beleza natural de cada uma. Enquanto alguns sistemas nos incentivam a buscar o formato de ampulheta a todo custo, a Identidade Kibbe propõem honrar e acomodar nossas formas como elas são.

Para mim, o que torna esses sistemas atrativos é que eles permitem um olhar mais gentil sobre nós mesmos, reconhecendo e valorizando o que nos torna únicos. Entretanto, essas análises são bastante subjetivas e existem poucos profissionais oficialmente treinados em uma ou outra vertente. Assim, é comum que uma mesma pessoa obtenha tipagens diferentes dependo do analista.

Para saber mais:

Essências McJimsey: Playlist da Elyssa
Essências Kitchener: Playlist da Ellie-Jean, Playlist da Patty Domingues, Playlist da Mylene Amelie.
Identidade Corporal Kibbe: Playlist da Ellie-Jean, Playlist da Patty Domingues, Gabrielle Arruda entrevista David Kibbe 

2. Sistemas de classificação de estilo baseada em intenção de imagem

Estes sistemas buscam classificar os estilos de acordo com a intenção de imagem da pessoa usuária, ou seja, o que ela pretende comunicar com suas roupas. Neles, cada categoria possui um conjunto de modelagens, tecidos e paleta de cores capazes de  informar aspectos da personalidade e estilo de vida de quem as usa. Assim, as categorias são como guias práticos de comunicação não verbal, fornecendo um modelo que pode ser ajustado ao gosto e necessidade individual.

Algum tempo atrás escrevi sobre este assunto em minha antiga newsletter, você pode ler o texto na íntegra aqui.

2A. Sistema Sete estilos universais

Desenvolvido pelas americanas Alyce Parsons e Mimi Dorsey na década de 1980, este sistema se baseia na análise de padrões de consumo das mulheres americanas naquele período e em conceitos da psicologia analítica junguiana. Ele propõe a existência de três estilos base – Tradicional (Clássico), Elegante (Contemporâneo) e Esportivo (Casual) – e quatro estilos complementares – Magnético (Sensual), Romântico, Criativo e Dramático Urbano (Moderno). O estilo particular de cada pessoa seria formado por um estilo de base (estilo predominante em todas as suas composições) e mais um ou dois estilos complementares. 

Esse sistema é bastante popular entre as consultoras de estilo no Brasil e foi o primeiro que conheci, lendo revistas de moda na minha adolescência. Entretanto, não o utilizo mais porque nunca consegui me encontrar muito bem nele. Mas é um conhecimento legal de se ter para conseguir acompanhar tendências e criadoras de conteúdo de moda nacionais.

Para saber mais: Playlist da Pri Figueredo, Playlist da Thaís Melo, livro Psicologia Fashion, de Lara Almeida (Editora Dialética).

Os 7 Estilos Universais e alguns de seus descritores. Fonte: Psicologia Fashion, de Lara Almeida , Editora Dialética, 2020. Imagem autoral.

2B. Sistema Raízes de Estilo

Elaborado pela britânica Ellie-Jean Royden em meados de 2020, o sistema conta com 8 raízes de estilo inspiradas em atributos da natureza: Lua, Sol, Flor, Fogo, Terra, Cogumelo, Montanha e Pedra, e foi desenvolvido com base nas consultorias prestadas pela autora e em extensos estudos de teorias de estilo.

Embora as Raízes de Estilo compartilhem semelhanças com os 7 Estilos Universais (por exemplo, a descrição do estilo Romântico e da raiz Flor são quase idênticas), a estrutura dos sistemas difere bastante. Enquanto existem apenas 3 categorias base no sistema americano, no sistema da Ellie-Jean qualquer raiz pode atuar como base. Além disso, cada raiz conta com um conjunto mais amplo de descritores que auxiliam na sua identificação com o estilo: desde elementos da natureza a estéticas atuais, passando por traços de personalidade e referências literárias. Por exemplo, uma pessoa de personalidade introspectiva e melancólica pode se sentir atraída por uma estética mais sombria, mas não se sentir representada pela audácia e extravagância do estilo Dramático. Entretanto, ela irá se reconhecer facilmente na raiz Lua.

Para saber mais: Playlist da Ellie-Jean, Blog da Ellie-Jean, Pinterest com as combinações das raízes.

Raízes de estilo e alguns de seus descritores. Adaptado do site Body & Style by Ellie-Jean Royden.

Este post será atualizado à medida em que eu me aprofundar nos estudos e dominar mais ferramentas! Se esse assunto te interessa, salve esse link para foltar nele de tempos em tempos.

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