Como e por que criei um blog pessoal

O ano é 2025 e estar online é sinônimo de consumir e criar conteúdo em plataformas controladas por big techs. Nelas, um algoritmo finamente ajustado para alienar e desinformar entrega postagens infinitas em um ambiente propício ao desentendimento, vício e consumismo. Todos nós sabemos que é um grande problema, ninguém está satisfeito com a experiência, mas parece impossível escapar das garras desses lunáticos. O que fazer?

Foi buscando entender as raízes e soluções para essa questão que esbarrei no movimento IndieWeb. IndieWeb é uma comunidade de websites pessoais independente de corporações, e que tem por princípios a posse do seu próprio endereço online (domínio), do seu próprio conteúdo e a publicação nesse domínio como prioridade, podendo propagar para outras redes depois.

Quadrinho de Raphael Salimena.

Para quem vivenciou a internet pré-2010, esse conceito não é novidade: era exatamente dessa forma que os blogs funcionavam antes das redes sociais tomarem conta. Era muito legal tirar um dia da semana para sentar na frente do computador e visitar meus sites favoritos para ver o que havia de novo. O consumo era mais lento, e mesmo a rede social da época, o Orkut, não era tão barulhento como as redes de hoje.

Foi buscando reviver essa experiência que decidi criar esse blog! Antes dele, publicava meus textos em uma newsletter do Substack, a Mensagem na Garrafa. Ele funcionou para mim por um tempo, mas não mais. Sei que existem desvantagens em não estar presente em redes sociais, mas para mim o ônus de estar lá se tornou muito maior que os bônus que o Substack oferece.

Quadrinho de Raphael Salimena

Como começar

Depois de pesquisar um pouquinho optei por seguir o tutorial mais simples que encontrei: criar um blog no wordpress.org via hospedagem no Hostgator. Clique aqui para ver o vídeo de passo a passo. Escolhi o plano de um ano, em que o primeiro domínio registrado é gratuito por este período.

Posto isso, acho que aqui cabem alguns esclarecimentos para iniciantes. Domínio de um site é o seu endereço online, aquele que você acessa para obter o conteúdo. Por exemplo, o domínio desse blog é rascunhosdamaria.com. O registro de um domínio é pago, geralmente é coisa de R$40,00 por ano.

Já a hospedagem é o serviço de armazenamento dos dados do site em um servidor, de forma que eles sejam acessáveis pela internet. É possível fazer isso em um computador próprio, mas isso requer um conhecimento mais aprofundado de TI. Para nós, meros mortais, é mais fácil contratar serviços como Hostgator ou Hostinger. O valor da hospedagem varia de acordo com a empresa e pacote contratado.

Quanto ao site propriamente dito, existem diversas formas de criar. É possível programar uma aplicação web do zero, “na unha”, utilizando a boa e velha combinação de HTML + CSS + Javascript e fazer seu deploy (colocar a aplicação disponível na internet) no Github ou Vercel, por exemplo. Também é possível programar utilizando frameworks como React, que padronizam e simplificam bastante o trabalho. Por fim, existem alternativas livres de programação por parte do usuário, como o wordpress.com, wordpress.org, blogger, iluria, wix, entre outros. Dentro desta categoria, diversas fontes citam o wordpress.org como a melhor alternativa.

Formatação e identidade visual

O WordPress fornece templates (chamados de temas) gratuitos e pagos para serem a base da formatação do seu site. O tema que uso é o Astra, como sugerido no vídeo de tutorial, embora a wiki da IndieWeb sugira outros temas. Dentro do painel de edição do WordPress, customizo as páginas e posts através do plugin Elementor, que permite a criação por blocos de conteúdo de diversos tipos (imagem, texto, vídeo, etc) e configurações (número variado de colunas e linhas). Esta edição é bastante intuitiva, mas acredito que possuir um conhecimento básico de HTML e CSS facilite ainda mais o processo. Finalmente, muito do layout atual do blog vem de tentativas e erros.

Para criar a identidade visual do blog, primeiramente construí um mood board para capturar a atmosfera que quero transmitir neste espaço. Reuni imagens que remetem a aconchego, atividades que gosto de fazer, obras que me inspiram. Algumas dessas imagens são autorais, outras obtive principalmente de bancos de imagens gratuitos como Unsplash e rawpixel.

Com exceção da extração da paleta de cores (feita com o conta-gotas do Photoshop), a interpretação do mood board é um tanto quanto subjetiva. Através da sua “leitura” notei a predominância de elementos vintage e ligados às artes manuais; isso pautou a escolha das fontes (cursivas e serifadas) e imagens utilizadas nas colagens (fragmentos de papeis, ilustrações manuais). O mood board também evoca introspecção, por isso escolhi o marrom escuro – a cor mais soturna da paleta – como a cor primária do site.

Por fim, sempre que possível incluo minhas próprias ilustrações nos post e páginas. Minha intenção com esse blog é que ele seja para mim um local de livre experimentação criativa, e isso inclui não só os textos, mas todo o visual do site.

Mood board criado para pautar a identidade visual do blog.

Escolha dos textos e seções

Como mencionado anteriormente, já possuía textos publicados no Substack. A “mudança de casa” permitiu que eu refletisse melhor sobre quais temas gostaria de escrever e a forma de apresentar esse conteúdo.

Assim, defini três categorias iniciais:

  • Ateliê mixed media: abriga textos sobre criatividade, artes manuais e projetos faça-você-mesmo. Mixed media é o nome que se dá para artes plásticas criadas misturando diversos tipos de materiais, que é algo que faço com frequência e representa a essência experimental dos meus projetos criativos;
  • Curious cats: reúne ensaios sobre temas diversos, em sua maioria textos argumentativos que exigiram um bocado de pesquisa;
  • Páginas da meia noite: textos mais intimistas, reflexões sobre a vida de forma geral e sobre a minha própria vida.

Os meus textos favoritos publicados na newsletter estão sendo republicados aqui, com algumas edições, mais imagens e layout mais interessante (o blog é muito mais flexível neste ponto).

Adoraria saber se este post foi útil de alguma forma, se você pensa em construir seu site pessoal ou mesmo se já tem um endereço para chamar de seu 🙂 

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