Texto publicado originalmente em 11 de março de 2025 na newsletter Mensagem na Garrafa.
Você já ouviu falar do “olhar do turista”?
Esse olhar diz respeito à forma fascinada com que observamos os arredores quando visitamos um lugar novo, buscando absorver o máximo de detalhes para viver intensamente a experiência. Quando aplicado ao nosso cotidiano, assemelha-se muito ao que tem sido chamado de “romantização da vida”, trend que incentiva a busca pela beleza das coisas simples e estar presente no momento. Porém, nesta edição gostaria de deixar o aspecto filosófico de lado (que já abordei neste texto) e trazer esse conceito mais como um exercício para expansão do repertório criativo à partir de nossas próprias vivências.
A primeira vez que ouvi falar em olhar do turista foi em um curso de Encadernação Criativa, em que um dos exercícios propostos era incluir em nosso banco de inspiração imagens autorais de nosso próprio cotidiano. Deveríamos tirar 50 fotos de texturas, 50 cores e 50 combinações entre texturas e cores, totalizando 150 imagens. Inicialmente parece fácil, mas lembro que após as vinte primeiras fotos eu realmente tive que começar a me esforçar para encontrar essas cores e texturas nos detalhes. Só cumpri a missão após passar algumas horas andando pelo bairro.
Hoje, mais do que nunca, eu entendo o valor desse exercício. Embora o meio digital seja abundante em recursos para nossos projetos, como fonte de referências ele tem ido de mal a pior. Ao buscar inspiração na vida fora das telas – e, principalmente, na nossa vida – tornamos nossa arte mais autêntica, íntima e experimental, e menos refém da estética pasteurizada, homogeneizada e cada vez mais artificial entregue pelos algoritmos.
Paletas de cores extraídas de fotos do exercício.
Como praticar
- Você pode começar em casa, observando detalhes dos objetos que te cercam (roupas, móveis, enfeites, plantas…). Documente em fotos as cores, texturas e formatos que te chamam mais atenção.
- Se você morar em um local seguro, dê uma volta no seu quarteirão. Procure as cores e texturas em detalhes pouco óbvios. Eles não precisam ser necessariamente bonitos, podem ser apenas inusitados ou capazes de evocar alguma emoção. A ideia aqui é ampliar o repertório!
- Crie um álbum dedicado à estas fotos, pode ser em uma pasta do computador, ou mesmo um álbum físico. Você pode usar esses registros para extrair paletas de cores, construir moodboards, ou replicar a combinação de cores e texturas em seus projetos.
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- Para criar as paletas de cores, uso o conta-gotas do Photoshop, porque é a ferramenta que tenho mais familiaridade; mas existem alternativas gratuitas online, como o Coolors;
- Para criar moodboards utilizo o Photoshop ou o Milanote, que possui uma modalidade gratuita. Você também pode utilizar o Canva ou mesmo PowerPoint ou ferramentas afins.
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- Também pode ser legal praticar esse olhar em nossos percursos rotineiros ou mesmo em lugares de nossa cidade que ainda não conhecemos bem.
Cores, texturas e designs da cidade onde moro. Fotos autorais.
Espero que tenha aprendido algo de novo 🙂 comentários são bem-vindos!


