Há pouco mais de um ano atrás, depois de muita hesitação, decidi parar de usar o instagram e, meses depois, o substack – as únicas duas redes sociais que participava até então. O principal motivo para essa escolha é que não conseguia usar essas plataformas de forma saudável. O vórtice de conteúdo engolia meu tempo, minha autoestima e minha esperança de um mundo melhor. Além disso, cansei de doar meus dados para empresas que os usam param motivos escusos.
De fato, agora me sinto mentalmente menos sobrecarregada. Mas cada escolha traz uma renúncia, e eu sabia que a decisão me afastaria um pouco mais do meu já restrito círculo de amizades – só não tinha ideia do quão intensa seria essa ruptura. Concluo com grande pesar que as pessoas que estimo tornaram-se completamente dependentes de redes sociais para manter vínculos afetivos.
Compartilhar reels por DM, curtir um stories ou comentar em um post hoje são “linguagens do amor”, e me sinto um pouco culpada por não estar mais participando disso – será que meus amigos pensam que eu não me importo mais? Por outro lado, não consigo ver essa tendência como algo positivo, me parece que estamos perdendo repertório de comunicação.
Compreendo que compartilhar fotos e memes é uma forma de criar e manter laços, algo do tipo “hey, lembrei de você!”, mas será mesmo que é a única? Uma amizade requer honestidade e profundidade, e por mais que eu tenha tentado, nunca encontrei isso em redes sociais. Talvez a melhor forma de incorporar esse compartilhamento de interesses virtuais seja como um complemento às interações reais, ao invés de uma substituição.
De minha parte, é bem verdade que poderia estar fazendo mais. Poderia convidar amigos para vir aqui em casa ou para sair com mais frequência, não fosse o enorme o cansaço que me encontra ainda na terça-feira e me transforma em um zumbi até o final da semana. Suspeito que seja por esta mesma razão que as pessoas tem preferido interagir via telas.
Vejo o desejo de compartilhar um pouquinho da própria vida e assistir à dos outros como uma busca por companhia fadada ao fracasso, que pode até diminuir temporariamente a solidão, mas não resolve suas causas (como a distância, sobrecarga de responsabilidades, ausência de comunidade ou medo de ser vulnerável).
Gostaria de concluir esse texto com alguma solução, mas acredito que de forma individual pouca coisa pode ser feita. Então deixo você, caro leitor, com a seguinte reflexão: se todas as redes sociais parassem subitamente de funcionar, seria difícil para você manter os mesmos vínculos na vida real?
Obrigada por chegar até aqui e, como sempre, comentários são bem vindos 🙂


